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Unhas que quebram com facilidade nem sempre indicam falta de vitaminas; conheça outras possíveis causas

Unhas que descamam nas pontas, lascam ao menor impacto ou se partem antes de crescer costumam despertar uma suspeita imediata: falta de vitaminas. Embora algumas deficiências nutricionais possam afetar as unhas, a fragilidade também está relacionada à exposição frequente à água, ao contato com produtos de limpeza e a determinados procedimentos estéticos. Identificar o padrão da quebra e observar os hábitos cotidianos ajudam a compreender o problema sem transformar um sinal isolado em diagnóstico.

A unha é formada principalmente por queratina, proteína organizada em camadas que dão resistência à lâmina ungueal. Quando essas camadas se separam na extremidade, aparecem pequenas descamações. Em outros casos, a unha apresenta fissuras que seguem o sentido do crescimento ou perde resistência de maneira mais generalizada. Essas alterações não têm necessariamente a mesma origem, embora sejam frequentemente descritas apenas como “unhas fracas”.

Um dos fatores menos lembrados é o contato repetido com água. Lavar louça, higienizar superfícies ou realizar atividades que exigem molhar e secar as mãos muitas vezes ao dia pode contribuir para a separação das camadas da unha. A questão não é simplesmente beber pouca água, mas a alternância de umedecimento e secagem da própria lâmina.

Unhas que quebram com facilidade nem sempre indicam falta de vitaminas; conheça outras possíveis causas
Unhas naturais com pontas irregulares e pequenas descamações, representando fragilidade ungueal. Ajustar à imagem efetivamente utilizada.

Um estudo experimental publicado no Journal of the American Academy of Dermatology examinou fragmentos de unhas submetidos a diferentes substâncias. Os pesquisadores observaram alterações compatíveis com descamação após ciclos repetidos de hidratação e secagem. O resultado ajuda a explicar por que a exposição constante à água pode fragilizar unhas mesmo quando a alimentação é adequada.

Detergentes e outros produtos de limpeza também entram nessa rotina. O contato frequente, sobretudo sem proteção, pode irritar a pele das mãos e agravar o desgaste das unhas. A Academia Americana de Dermatologia recomenda usar luvas em tarefas com água e produtos de limpeza e hidratar as mãos após lavá-las. O cuidado é simples, mas sua regularidade faz diferença.

Procedimentos de manicure merecem a mesma atenção. Lixar excessivamente a superfície, remover coberturas de forma agressiva e puxar esmaltes que começaram a soltar pode retirar camadas superficiais da unha. A sensação de unhas finas depois de determinadas técnicas não significa, por si só, que o organismo esteja sem nutrientes: pode haver dano causado diretamente à lâmina.

Segundo as orientações dermatológicas sobre esmaltação em gel, o uso desses procedimentos pode estar associado à fragilidade, descamação e rachaduras. A retirada adequada é importante, assim como considerar intervalos sem cobertura quando as unhas estão comprometidas. Cortar ou remover a cutícula também exige cautela, pois essa estrutura ajuda a proteger a região contra infecções.

O formato e o comprimento interferem na ocorrência de quebras. Unhas muito compridas ficam mais expostas a impactos durante tarefas simples, enquanto bordas irregulares podem prender em tecidos e outros objetos. Mantê-las em comprimento confortável e arredondar delicadamente as extremidades com uma lixa apropriada pode reduzir pequenos acidentes, sem necessidade de lixamentos repetitivos.

Outra prática prejudicial é usar as unhas como ferramentas para abrir embalagens, raspar etiquetas ou deslocar objetos. Esses esforços concentram pressão na extremidade da lâmina, favorecendo lascas e fissuras. Roer ou puxar pedaços de unha também pode provocar lesões e aumentar a vulnerabilidade da pele ao redor.

A idade é mais um elemento a considerar. Com o passar dos anos, as unhas podem se tornar mais frágeis e apresentar alterações de textura. O serviço público de saúde do Reino Unido (NHS) informa que essas mudanças são frequentes no envelhecimento. Isso não significa que qualquer alteração deva ser atribuída à idade, especialmente quando surge de forma repentina.

Há situações em que a investigação de saúde é necessária. Anemia por deficiência de ferro, alterações da tireoide e algumas doenças dermatológicas podem acompanhar mudanças nas unhas. Psoríase e infecções, por exemplo, podem produzir sinais além da simples quebra, como deformações, descolamento, espessamento ou alterações de cor. O aspecto da unha, isoladamente, não permite identificar qual dessas condições está presente.

A ideia de que unhas frágeis exigem suplementos de biotina também merece cuidado. A deficiência dessa vitamina pode causar fragilidade, mas é incomum em pessoas que recebem quantidades adequadas pela alimentação. Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, por meio de seu escritório de suplementos alimentares, informam que as evidências sobre o benefício de doses extras para unhas e cabelos ainda são limitadas.

O uso por conta própria não é uma solução neutra: suplementos de biotina em doses elevadas podem interferir em determinados exames laboratoriais, inclusive alguns relacionados aos hormônios da tireoide. Por isso, antes de comprar produtos destinados a “fortalecer unhas”, vale discutir com um profissional de saúde se existe motivo concreto para investigar uma deficiência nutricional.

Para cuidar das unhas no dia a dia, a estratégia mais útil começa pela redução das agressões. Usar luvas nas tarefas domésticas, aplicar hidratante também sobre as unhas e cutículas, evitar remoções traumáticas de esmalte e manter as bordas aparadas são medidas acessíveis. Como a lâmina já danificada não se transforma imediatamente em uma unha nova, a melhora depende também do crescimento gradual da região preservada.

Se a fragilidade persistir apesar dessas mudanças, ou vier acompanhada de dor, inflamação, descolamento, deformações ou alteração de cor sem explicação, é importante buscar avaliação dermatológica. A quebra frequente pode ter mais de uma causa, inclusive fatores simultâneos. Antes de atribuir o problema às vitaminas, observar o que acontece com as unhas todos os dias pode revelar uma parte importante da resposta.